quarta-feira, 26 de setembro de 2012

21/09 - DE MARIA ELENA A TOCOPILLA

RESUMO DA JORNADA: Tempo de bike: 5h 44m 26s:  Tempo total de relógio: 7h 35m 59s; Velocidade média: 12,4 km/h; Velocidade máxima: 36.9km/h; Distância total percorrida: 71,41km

O dia tinha tudo para ser um daqueles que todo o ciclista almeja: o aventureiro Werner Hennig estava a 1.200 metro acima do nível do mar, em Maria Elena, e a jornada era rumo a Tocopilla, a apenas 70 quilômetros, que está ao nível do mar. Portanto, só descida, o que facilita a vida de qualquer pedalador. Werner pensava que, como ele diz "ia ser mais fácil do que tirar doce de criança".
Por isso o aventureiro nem se preocupou em sair muito cedo, porque nesse horário o frio é terrível. Congela tudo.
Mas não foi assim - um vento contra, fortíssimo, não permitia o avanço, mesmo sendo um trecho plano. A média horária, após 42 km, era de 10,6 km/h porque até essa distância a descida ainda não aparecera.
Isso desgastou muito o aventureiro que pretendia chegar em Tocopilla cedo, perto de 14:30 h da tarde, a tempo de enviar as fotos e o áudio para este correspondente. Infelizmente chegou só ao final da tarde, de modo que passou apenas um Email dizendo que passaria o material em outro dia, já que amanhã a jornada seria longa e ele teria que levantar-se às 5 da manhã.
Werner lembra que hoje pela manhã, com sol alto, o frio era intenso e ele não compreende porque, já que Tocopila está acima do Rio de Janeiro em relação a linha do Equador. E no Rio a temperatura não baixa dos 30°...


Hospedagem do aventureiro em Maria Helena: um quarto nos fundos de uma marcenaria (note-se o aventureiro aparecendo no espelho do banheiro ao fundo).
Aliás, fando-se em alojamento, na chegada em Tocopila, ocorreu      um fato interessante: após dirigir-se a portaria  para fazer o registro, subiu para o quarto para tomar um banho e ir ao mercado. Aos descer, já "de cabelo lambido", como ele diz, a recepcionista de modo agressivo perguntou: "Vais me cancelar?", já engrossando.
O aventureiro, entendendo tratar-se de problema relativo ao pagamento, respondeu que já o havia feito, durante o registro na recepção.
Após um breve diálogo sobre o assunto, como era a palavra dele contra a da moça, puxou mais dez mil pesos e pagou novamente.
Na volta do mercado, voltou a portaria para para obter informações sobre o caminho  a seguir na jornada seguinteima etapa de viagem.Isso porque nas duas última aventuras, em 2010 e 2011, ele pernoitou em Loa, porque nessa localidade sempre acabava a água e isso é terrível. Não que o aventureiro não esteja acostumado com esses problemas - eles fazem parte da aventura- mesmo porque, dias atrás isso acontecera na travessia da Cordilheira, só que nessas ocasiões ele se programa e se prepara para isso. Outra preocupação é com a higiene pessoal, não só a sua, mas como das pessoas que trabalham nos alojamentos daquela cidade e principalmente na cozinha e manuseiam os alimentos.
Para sua surpresa, a recepcionista do hotel, toda sem jeito, devolveu os 10 mil pesos ao aventureiro, informando que o dinheiro havia ficado numa outra gaveta da recepção e que ela não havia notado.
O aventureiro diz que, se tivesse uma conta bancária do tamanho da do Bill Gates, teria deixado o dinheiro com ela e lhe daria mais cem dólares de recompensa por sua honestidade, mas como sua conta ainda está muito longe daquela do milionário americano, embolsou os dez mil pesos para serem devidamente gastos no restante da viagem.





Visão externa do alojamento (precário) onde o aventureiro passou a noite, em Maria Elena. 
O aventureiro pedala frente a uma típica casa do povoado de Maria Elena. 
 Aqui, o governo de Antofagasta está restaurando o Museu Comunal de Maria Elena. Segundo nos informa o aventureiro, será uma obra magnífica. Vejam nas fotos acima e abaixo a magnitude do projeto.


A Sociedade Química e Minera de Chile informa no cartaz acima que a a mina possui 10.852 trabalhadores, estando a uma altitude de 1.246 metros e que se dedica a extração e beneficiamento de Nitrato de Potássio, salitre potássico, salitre sódico, sulfato de sódio e iodo.
Segundo informações de uma funcionária que estava na guarita da fábrica, esta é a última salitreira do mundo - não existe mais nenhuma no mundo inteiro. 
A história parece ter algo de real, porque como diz a Wikipédia abaixo, com a descoberta do salitre sintético, a grande maioria das fábricas fecharam. Veja o texto abaixo:

Oficina salitrera, nombre que reciben los diferentes centros de explotación del salitreubicados en las actuales regiones chilenas de Tarapacá y Antofagasta, que proliferaron desde 1842 con el descubrimiento de la utilidad del salitre, y los años 1930, luego de inventarse el salitre sintético.
Dado lo aislado y árido de la zona de explotación minera, en pleno desierto de Atacama (el mas arido del mundo), se crearon como el entorno de las instalaciones industriales para la extracción y procesamiento del salitre, enclaves casi autosuficientes en los que se reunía la administración del centro minero, viviendas de los trabajadores, centros de venta (conocidos como pulperías), iglesias, escuelas, centros de esparcimiento y entretención. Las oficinas salitreras fueron hogar de miles de trabajadores provenientes de ChileBoliviaPerú y Argentina.
Según una leyenda dos pobladores aymaras de la zona hicieron una fogata y empezó a arder la tierra que contenía caliche. Enterado el cura de Camiña, y llevando agua bendita, recoge unas muestras y reconoce que contenían Nitrato de Potasio. Otra parte de las muestras se encontraban en el patio de la casa del sacerdote y más tarde observa que las plantas se desarrollaban extraordinariamente.1
Con el descubrimiento del salitre en la zona, se establecieron en Tarapacá y Antofagasta oficinas salitreras para la explotación del salitre.
De 1810 a 1812, las ocho primeras oficinas salitreras se establecieron en la provincia de Tarapacá, en Negreiros, Pampa Negra y Zapiga.
Los dueños de las oficinas salitreras eran de diversas nacionalidades, peruanos, bolivianos, españoles, franceses, alemanes, chilenos, ingleses, italianos e croatas.

Con el decaimiento de la venta del salitre durante los años 1930, la mayoría de las oficinas salitreras fueron desalojadas (produciendo un éxodo masivo de trabajadores) y desmanteladas. En la actualidad, quedan pocas oficinas salitreras en pie, erigiéndose como "pueblos fantasmas", las cuales se encuentran en su mayoría en mal estado. Las oficinas más conocidas son las de Humberstone y Santa Laura, ubicadas al oriente de Iquique y que desde 2004 son Patrimonio de la Humanidad.



Abrigo para passageiros da antiga estação da estrada de ferro, que passava pelo local.










Vista Geral da salitrera da Sociedade Química e Minera de Chile, que apesar da aparência de abandonada ainda produz, conforme o aventureiro informa, pois sempre aparece fumaça saindo de suas chaminés (fotos acima e abaixo).











O aventureiro posa ao lado de dois antigos motores que eram usados na fábrica.



Caldeira inativa da salitreira.





Ainda em Mari Elena, estes conjuntos devem ser alojamento dos trabalhadores da salitrera.








Tocopilla, à esquerda, caminho a ser seguido pelo aventureiro.



Chegando a cidade de Tocopilla, pela Ruta B-24

Tocopilla, Capital da Energia, ao final da tarde.




Leones, monumento que o aventureiro não descobriu a que se referia, pela absoluta falta de informações. Palpite deste correspondente: Lions Clube de Tocopilla...




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