domingo, 9 de setembro de 2012

DIA 01/09 - CARABINEIROS/MARICUNGA

RESUMO DO TRAJETO: Tempo de bike:2h  06m 54s; tempo total de relógio: 03h 09m 55s  

Vejam a beleza e a nitidez da foto da Laguna Verde, tirada do GPS do aventureiro. Essa Laguna já havia aparecido no mapa do dia anterior, mas em tamanho menor. Segundo Werner, : "Dá quase prá mergulhar!". Notem que o roteiro percorrido pelo aventureiro circunda a bela laguna.


O aventureiro diz que hoje foi obrigado a "jogar a toalha". Acordou muito mal, cansado e sem a mínima condição de pedalar. Decidiu-se a pedir uma carona, mas infelizmente teve que se "arrastar" por vários quilômetros, já que não passva niguém, nem de um lado nem de outro. O terreno continuava o pior possível: areião, pedras e "costelas de vaca", que não lhe permitiam desenvolver velocidades superiores a 6 ou 7 km/h. Haviam muitas subidas e descidas e apesar de estar naquele momento a 4.200 metros de altitude e Maricunga estar a mais ou menos 3.800 metros, sendo o percurso portanto em declive (aproximadamente 400 metros de descida nesses 80 quilômentros até Maricunga), isso nada lhe favorecia, porque o terreno era muito desfavorável e nessas pequenas subidas de 2 ou 3 km, o aventureiro era obrigado a descer e empurrar a bike.
A preocupação de Werner era que, se não conseguisse uma carona, na velocidade em que estava, iria fazer no máximo 40 km neste dia, o que significa dormir mais uma noite ao relento.
Finalmente a sorte sorriu para o aventureiro: em função de um evento entre  o Chile e  a Argentina, que aconteceria em Copiapó, havia uma equipe deste último país estava patrolando a estrada. Uma caminhote acompanhava o trator que fazia esse serviço. Depois de 9 quilômetros de sofrimento, o aventureiro finalmente conseguiu uma carona com Bernardo, motorista da caminhonete que lhe conduziria por cerca de 70 quilômetros até a aduana do Chile.
A velocidade média de Werner até esse momento era de 4,7 km/h. Com essa velocidade, certamente o aventureiro teria que pernoitar mais uma vez ao relento, há mais de 4 mil metros de altitude, numa temperatura extremamente baixa.
A esse propósito, conta-nos Werner que " quando sei que vou dormir ao relento, coloco tudo que tenho de agasalho, que são quatro calças , duas camisetas , dois casacos  e o corta vento, aquele cinza que aparece sempre nas fotos. Coloco também,  normalmente, umas quatro meias,duas grossas de lã e duas a tres normais e assim entro no saco de dormir. Outra estratégia é evitar ingerir líquido durante o dia (que os médicos não o ouçam...),  para nao precisar sair do saco de dormir para urinar.
 Quanto às temperaturas enfrentadas, conta-nos o aventureiro haver adquirido um termômentro em Florianópolis mas que o mesmo não aparece bem nas fotos, embora ele tenha tentado várias vezes documentar as variações de calor e frio que vem enfrentando. Segundo Werner, as temperaturas estão bastante amenas para a Cordilheira nesta épocado ano. Durante o dia, na sua chegada à Gruta, o termômetro marcava 15 graus, embora à noite  baixasse bastante, chegando pela manhã sempre inferior a zero graus.



Ainda na cabana dos Carabineiros, no início da jornada de hoje, o maravilhoso céu de Laguna Verde.



A bike aparece na frente da maravilhosa Laguna Verde.





A bike devidamente acomodada na caminhonete. Werner finalmente se tranquiliza e parte rumo a Maricunga.

Com Rodrigo na direção, o aventureiro se descontrai e brinca com o equipamento de oxigênio usado nas emergências (foto abaixo).



Como a motoniveladora começou a trabalhar, Bernardo se liberou e  resolveu levar Werner para um breve city-tour pelas redondezas, que se iniciou por uma visita à casa na foto acima.
Pasmem, ela estava pouco mais de 500 metros da cabana dos Carabineiros e está totalmente equipada para acolher visitantes, fato que Werner desconhecia. Ela fica aberta o ano inteiro, com todos os utensílios e móveis necessários, sem que ninguém furtasse qualquer coisa ou promovesse ações de vandalismo. Novamente temos que tirar o chapéu para a educação do povo argentino.


Na foto, as dependências da casa, que possuiam camas com colchões, além de outros móveis e utensílios que teriam permitido uma noite de sono reparador ao aventureiro, se ele soubesse de sua existência. E a 500 metros de distância, apenas, de onde ele estava.


Nos fundos da casa acima, pedras servem de proteção contra avalanches de neve para as barrcas dos montanhistas que depois irão escalar os altos picos gelados da Cordilheira. São dispostas em círculo, para se adaptarem ao formato das barracas.

As camas, ao lado das quais Werner posa, estão num refúgio a 15 quilômetros de onde pernoitou (Carabineiros) na última noite. Não adianta chorar o leite derramado, mesmo porque o aventureiro reconhece que jamais teria conseguido pedalar essa distância nas condições em que terminou a última etapa. Mas que teria sido uma "mão na roda" teria...


"Ojos del Salado", o mais alto vulcão do mundo, visto da janela da casa.


Werner posa, tendo ao fundo o mais alto vulcão do mundo: os "Ojos Del Salado"

A casa  recém-visitada pelo aventureiro, tem em sua frente, um monumento dedicado às vítimas do terremoto e tsunami que assolou o Chile em 2010. Foi doado por um alemão e esculpido por um chileno (nomes abaixo).

O aventureiro marca presença ao lado do monumento(foto abaixo).



Chegando em Maricunga,  logo após o tour turístico pelos refúgios da região oferecido pelo gentil Bernardo.

Na casa onde pernoitará em Maricunga, com a bike já guardada, o aventureiro mais uma vez agradece a gentileza de Bernardo, que o salvou de dormir ao relento mais uma noite nessa difícil travessia dos Andes.

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